A rejeição do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que prorrogava a Contribuição provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011, prova que o Senado mudou, ou melhor, evoluiu, pois mudança pode ser pra melhor, mas também pra pior. Espera-se que o novo presidente da Casa, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) não tenha o mesmo comportamento de seus antecessores. Renan Calheiros (PMDB-AL) era um garoto de recado, fazia o que Lula queria e falava o que o presidente queria ouvir. Tião Viana (PT-AC) não precisa dizer nada. É amiguinho e coleguinha de partido. Na Câmara Federal, na calada da noite, Lula usou o rolo compressor e as verbas de emendas para aliciar um monte de deputados desonestos. Dos outros do Acre, apenas Flaviano Melo (PMDB) voto contra, os outros se renderam.
Com ampla vantagem na Câmara Federal, Lula partiu para o Senado ciente de que iria aprovar mais uma matéria nociva aos interesses da população brasileira, mas se deu mal, muito mal. Um dia após engolir mais um peemedebista na presidência do senado, Lula sofreu mais uma derrota. Isso não quer dizer que no senado só tenha gente boa. Lá também tem picaretas como o próprio Lula dizia nos tempos em que era oposição, mas os senadores não se impressionam facilmente e nem se intimidam facilmente. O agravante é que os deputados e senadores que disseram “sim” a este assalto ainda se acham no direito de desencadear campanha difamatória numa desesperada tentativa de manchar o nome dos que votaram contra a safadeza e defenderam os interesses populares.
O resultado da votação serviu para mostrar que o Senado precisa ser respeitado. Dizer que o governo sempre vence, às vezes não acontece. É preciso o governo aprender que o Legislativo tem suas prerrogativas, entre elas de recusar os projetos do governo. Parece que isso estava sendo esquecido. Até o último momento, o governo tentou conseguir os 49 votos necessários para aprovar a CPMF. O líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), chegou a ler em plenário uma carta-compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com mais uma proposta para tentar convencer a oposição a votar favorável à matéria. No documento, o governo concordava em destinar mais recursos da CPMF para a saúde. Não deu certo. Faltaram quatro votos para a matéria ser aprovada.
Extraído do O Rio Branco
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