sábado, 8 de setembro de 2007

****Frei Betto também cansou ****

Sebastião Nery da tribuna de Imprensa

1 - "2 de outubro de 2003 - Na Paraíba, Lula reinaugurou o aeroporto João Suassuna, de Campina Grande, na presença de Ariano, filho do homenageado. Ao discursar, disse que encontrou um `país abandonado' e que `muita gente passou a mão no dinheiro e não aplicou nas coisas corretas'. Uma voz se ergueu do público: `Cuidado, presidente. Muita gente está aí a seu lado'"!

2 - "20 de março de 2004 - Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura, em desabafo, disse que Guido Mantega, do Planejamento, não o recebia e, nervoso, mandou-o `à puta que o pariu'".

Dirceu
3 - "8 de abril de 2004 - Critiquei o fato de Zé Dirceu ter assumido a gerência do governo. Que experiência de gestor ele tem? - Também fiquei surpreso, admitiu Lula. Quando falei que era preciso separar as áreas políticas e administrativas, eu estava convencido de que o Zé escolheria a área política. Mas preferiu a administrativa. Não quis contrariá-lo."

4 - "27 de outubro de 2004 - Porto Alegre cansou do PT, após 16 anos na administração municipal".

Essas e outras pequenas histórias desnudam um governo. Estão no excelente diário ("Calendário do poder", Rocco) que o íntegro e verdadeiro Frei Betto escreveu nos dois anos que passou dentro do Palácio do Planalto, como "assessor especial" de Lula, e que já comentei. O ideal será lê-lo todo. E mais seu magistral "Batismo de sangue" (Rocco), o melhor sobre as torturas.

Lula
5 - "1º de novembro de 2002 - Benedita da Silva, derrotada por Rosinha Matheus (PMDB) para o governo do Rio, ligou para Lula: `Agora quero você cuidando de mim', suplicou".

6 - "3 de novembro de 2002 - Lula surpreendeu Zé Dirceu, Mercadante Gushiken discutindo que ministério cada um ocupará. Tentou acalmá-los: `Escolham entre vocês. O que cada um escolher, eu aprovo'".

7 - "20 de janeiro de 2003 - O primeiro escalão do Ministério da Fazenda não tem o menor pudor cívico quando se trata de honrar a dívida pública e encher as burras dos credores. Remuneram-se os donos do capital e fraudam-se os trabalhadores ativos e inativos".

8 - "31 de março de 2003 - Lula afirmou, na campanha, que antes de exportar alimentos era preciso matar a fome do povo. Mudou o enfoque".

Sem projeto
9 - "1 de abril de 2003 - Algo me inquieta: a desconfiança de que o governo não tem um projeto Brasil. Atua mais no varejo do que no atacado. E, de fato, não há política econômica e sim financeira ou monetarista".

10 - "9 de julho de 2003 - No dia em que se sacudir a frondosa árvore repleta de ONGs supostamente dedicadas à causa indígena no Brasil, a nação ficará estarrecida".

11 - "17 de julho de 2003 - Oded Grajew e eu fomos transferidos para o anexo II do Planalto. A primeira-dama ocupou o espaço do nosso gabinete. Somos os únicos assessores especiais deslocados para fora do prédio principal do palácio. No 4º andar, há tantas salas reservadas à assessoria da Casa Civil".

Governo
12 - "14 de agosto de 2003 - Meu desalento com o governo é cada vez maior. Não é o que eu esperava ou sonhava. Tudo é a muito longo prazo... Tudo parece de cabeça para baixo... E as trapalhadas dos ministros".

13 - "24 de setembro de 2003 - Minha preocupação maior é com os rumos do governo. Cada vez mais de salto alto. Temo que a tentação eleitoreira prevaleça sobre os compromissos históricos e os princípios éticos".

14 - "7 de janeiro de 2004 - Recebi e-mail de Ivo Lesbaupin, doutor em Ciências Sociais, ex-confrade dominicano, e ex-companheiro de cárcere: `Está na hora de você abandonar este governo'".

15 - "17 de fevereiro de 2004 - O governo parece uma nau sem rumo. Faltam debates e políticas estratégicas. Quase tudo cheira a um grande improviso, exceto a fortuna que o superávit suga da nação para os credores".

Quadrilha
16 - "5 de maio de 2004 - Segundo modelo do Banco Mundial, o Bolsa Família é para adoçar a boca dos pobres com torrão de açúcar e encher a pança dos ricos com monumentais bolos recheados de títulos da dívida pública e achocolatados por juros astronômicos".

17 - "11 de maio de 2004 - Generaliza a insatisfação".

18 - "30 de agosto de 2004 - Continuo sem entender por que recursos federais precisam passar por instituições não governamentais para serem aplicados em projetos do governo federal".

19 - "2 de outubro de 2006 - O governo Lula optou por privilegiar alianças partidárias que por vezes incluíam políticos notoriamente corruptos, de práticas antagônicas aos fundamentos do PT. Nem parece ter servido de lição a crise ética de 2005, tumor fétido de alianças nefastas que reduziram o contrato programático a um balcão de negócios com moeda suspeita".

Um governo desse tinha que acabar no "Mensalão da quadrilha dos 40".

Extraído Daqui

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