sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Do Jornal "O Rio Branco" Governo evita efeito dominó

Nos fins de jogos de final de campeonato, se vê muitas faixas com a frase: “Eu já sabia”. Eu também já sabia que o Senado não teria coragem para cassar o mandato do presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Sabia também que a bancada do PT e de outros partidos que comem na mão do presidente Lula da Silva iriam fazer de tudo para salvar a pele de Renan.

Lula e o PT sabiam que a derrota de Renan também seria a derrota deles. No fundo, quem enxerga um palmo adiante do nariz sabia que a turma do mensalão iria lutar até o fim para evitar a queda do senador alagoano. Renan tinha absoluta certeza de que não seria cassado. Por isso, jamais falou em renúncia. Ele sabe muito sobre o governo e sua cassação poderia provocar o que a gente conhece como efeito dominó. Ou seja, caindo Renan cairia Lula e o resto da turma.
Pelo regimento interno do Senado, Renan só seria cassado se tivesse 41 votos a favor de sua cassação. O placar de 40 a 35 mostra, nitidamente, que o senador alagoano em momento algum correu risco.

Outros seis senadores preferiram se abster. Se a votação fosse aberta, mesmo assim Renan não seria cassado. Como o voto foi secreto, os defensores da imoralidade ficaram bastante à vontade para decidir em favor do senador. O motivo do pedido de cassação foi explorado ao estremo pela mídia: quebra de decoro parlamentar por usar dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem Renan teve um caso amoroso que resultou em uma filha fora do casamento. Se o ex-deputado Severino Cavalcante (PP-PE) tivesse provas contra o governo como tem Renan também não teria sido cassado.

Mesmo diante das provas documentais e depoimentos, a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), cinicamente, afirmou em seu discurso na sessão de julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que o Conselho de Ética não tem provas de que a empreiteira Mendes Júnior pagou despesas pessoais do senador. A senadora reafirmou que a bancada do PT estava liberada para votar como quiser, mas, no discurso, defendeu o senador, segundo relatos feitos por parlamentares presentes na sessão secreta. Para desmoralizar, ainda mais os petistas, o senador Aloizio Mercadante, por medida de segurança, se danou a agir como cabo eleitoral para garantir a manutenção de Renan. O Senado, a exemplo do governo Lula, o Senado ficou mais sujo, mas Renan saiu limpinho. Se Mônica ainda o quisesse, ele poderia voltar a namorar a jornalista Mônica Velloso com tudo pago pela Mendes Júnior ou outra empreiteira.

Jornal o Rio Branco

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