Cuidado com o que você fala ao telefone, principalmente ao celular. Um dia sua voz pode aparecer nos telejornais, legendada, mostrando que você é culpado de algo que você ainda não sabia.
A lei permite que a Justiça autorize uma escuta telefônica por no máximo 15 dias, prorrogáveis, desde que os indícios contra o investigado estejam se confirmando. Pois bem: nesses grampos que têm alimentado operações como Navalha e Furacão, há pessoas com seus telefones espionados por mais de um ano.
É perigoso esse clima de arrastão moralizante. Para virar linchamento, não custa nada. A lei diz que o grampo só pode ser autorizado como último recurso de uma investigação que já está repleta de indícios contra o seu alvo, e precisa desse recurso extremo para auxiliar na obtenção das provas essenciais. Hoje, no Brasil, há juízes autorizando escuta telefônica até a partir de denúncia anônima. Uma maravilha, quando é com os outros.
É preciso fazer, o quanto antes, a distinção entre investigar um fato ilícito objetivo e bisbilhotar a vida de um cidadão. Na barulhenta operação DOMINÓ em Rondônia, por exemplo, o relatório chegava a se referir a uma cafetina que abastecia com carne jovem,suculenta, várias "autoridades" rondonienses. Esse noticiário daqui a pouco vai passar dos telejornais diretamente para a novela das oito. Hoje, 153 pessoas estão sendo minuto a minuto monitoradas. O que vale é o show.
A lei permite que a Justiça autorize uma escuta telefônica por no máximo 15 dias, prorrogáveis, desde que os indícios contra o investigado estejam se confirmando. Pois bem: nesses grampos que têm alimentado operações como Navalha e Furacão, há pessoas com seus telefones espionados por mais de um ano.
É perigoso esse clima de arrastão moralizante. Para virar linchamento, não custa nada. A lei diz que o grampo só pode ser autorizado como último recurso de uma investigação que já está repleta de indícios contra o seu alvo, e precisa desse recurso extremo para auxiliar na obtenção das provas essenciais. Hoje, no Brasil, há juízes autorizando escuta telefônica até a partir de denúncia anônima. Uma maravilha, quando é com os outros.
É preciso fazer, o quanto antes, a distinção entre investigar um fato ilícito objetivo e bisbilhotar a vida de um cidadão. Na barulhenta operação DOMINÓ em Rondônia, por exemplo, o relatório chegava a se referir a uma cafetina que abastecia com carne jovem,suculenta, várias "autoridades" rondonienses. Esse noticiário daqui a pouco vai passar dos telejornais diretamente para a novela das oito. Hoje, 153 pessoas estão sendo minuto a minuto monitoradas. O que vale é o show.
- Alô! Oi.
- Opa! Ta sumido home...
- Muito trabalho , mas ....aquele “pessoal” novo ta aí?
- A morena?
- Pô, que música é essa aí? Ta alto,..... abaixa aí ...
Manda ela pra mim hoje, ó .....ela recebeu o presente que mandei?
- Você tá acostumando mal essa menina. A bichinha vai se apaixonar....(rs)
- Vou mandar buscar ela às 5 horas aí. Depois eu queria aquela da loja...
- Hi....aquilo ali é complicado .... ela ta apaixonada por um gurizinho sem futuro , mas vou ver . É mais caro você sabe...
- Falamos depois....5 horas hein! ....
Por que não grampear logo então as redações de jornais, os confessionários das igrejas e os consultórios de psicanálise? Essa onda virtuosa do “tudo às claras” a qualquer preço ainda vai revelar que todo brasileiro é um suspeito até prova em contrário.
É difícil para a imprensa ser seletiva com as gravações de grampos que recebe, afinal trata-se de material jornalístico, até mesmo em alguns casos de grampos ilegais. Mas há uma promiscuidade evidente nessa cadeia em que a polícia pede a devassa porque o juiz vai autorizar, o juiz autoriza porque a imprensa vai legitimar, e a imprensa legitima porque o público vai aplaudir – e, afinal de contas, a polícia pediu e o juiz autorizou.
No final, todos lavam as mãos. Mas, em muitos casos, elas estão, e permanecerão irremediavelmente sujas.
Fonte: Mário Moraes
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